Economia – fase de adaptação das empresas e os problemas da comunidade
31 de março 12:05
“Compilado da entrevista com André Yamaguchi – K-Line (recursos humanos)”
A economia no Japão irá passar por uma fase complicada após o terremoto e tsunami de 11 de março. Este fato é unânime entre os especialistas que estão analisando a situação neste momento. Haverá setores que estarão com problemas como a logística de produção que foi afetada por empresas que estão paradas na região de Tohoku.
Conversamos com André Yamaguchi, que está em contato com diversas empresas e empreiteiras da região Tokai. Segundo André, a preocupação maior está no setor de auto peças. “O setor automotivo principalmente ligados a Honda e Toyota estão estudando o que fazer com funcionários”. A previsão é que os funcionários fixos (shain) irão receber subsídio para ficarem em casa durante as paralisações, e os contratos temporários (kikan-shain) irão receber uma indenização ou subsídio que está em estudo. Muitas pessoas estão recebendo parte do salário para ficar em casa.
Segundo André, as montadoras de carros estão enfrentando problemas como cancelamentos de pedidos, falta de matéria prima e de peças. Havia uma previsão de repatriamento de produção que foi transferida para a China por conta de excesso de defeitos nas linhas de produção, que geraram inúmeros recall (reposição de peças defeituosas em carros) na Honda e Toyota. Mas o terremoto pode atrapalhar a volta desta produção ao Japão.
Empresas do ramo de bebidas já fizeram uma previsão de problemas com garrafas tipo PET, que dependiam em partes de fábricas da província de Fukushima. Uma grande empresa no setor de plásticos e derivados está parada como consequencia do terremoto e tsunami. Indústrias como a Coca Cola já estão preocupadas com este problema, que foi agravado pelo excesso de consumo de água mineral.
A queda do consumo interno no Japão e a crescente preocupação com o Tokai Jishin está afetando em peso a economia. Na região Tohoku o fluxo de turistas praticamente acabou, e muitas cidades estão com pouca movimentação nas lojas. A previsão de prejuízos em empresas irá afetar o bônus que os funcionários recebem, piorando mais ainda a situação. “Muitos irão ficar com a moral baixa” disse André.
A recomendação no momento é que os brasileiros procurem empresas ligadas ao setor da construção civil que deverá se fortalecer nos próximos meses. Fábricas de tubulações, postes, cimento e empresas que trabalham com reformas irão ter um grande aumento em produção e serviços.
Para aqueles que pensam em retornar, André deixa um conselho: “Se forem retornar, pode ser um bom momento, mas procurem quitar suas dívidas e não deixar pendências, pois em caso de retorno irá encontrar problemas. Deixar as portas abertas, tirar o re-entry e manter contato com amigos e responsáveis da empresa que trabalhou é importante”.
Na reconstrução das áreas atingidas pelo terremoto e tsunami será preciso muita mão de obra. E provavelmente as empresas que irão trabalhar com estas pessoas irão contratar diretamente pelas agências do Hello Work. É uma oportunidade de ganhos salariais altos em curto período.
Uma possível falta de mão de obra pode acontecer nos próximos meses no Japão, acarretada pelo retorno em massa de estrangeiros de diversas nacionalidades, entre brasileiros, filipinos, peruanos, bolivianos e principalmente chineses.
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Palavras-chave deste artigo: terremoto















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